Paulo Sérgio Neves
Outro dia, parado em um sinaleiro estacionou ao meu lado um rapaz que aparentava ter seus 20 e poucos anos dirigindo sua incrementada saveiro preta. Pelo estado de conservação percebia-se que era semi nova, e não se fazendo de rogado, despejou seu lixo sonoro em todos os motoristas que aguardavam o sinal abrir.
Digo nossos pois a quantidade de motoristas naquele cruzamento é grande pois trata-se de uma rua cujo fluxo de carros nos leva a uma outra avenida também muito movimentada.
Sou eclético e vou do pop ao rock do samba à música popular sem problemas, mas aquele som...
Eu quero tchu, eu quero tcha
Eu quero tchu tcha tcha tchu tchu tchaTchu tcha tcha tchu tchu tcha...
Fala sério!
Essa música, o calor do dia, o sinaleiro que não abre... quem aguenta?
O sinaleiro nessas horas não fica verde e a presença de um guarda de trânsito naquele momento é algo imprescindível, mas cadê o policial?
Nesses poucos, mas infindáveis minutos muitos pensamentos vieram à minha cabeça, mas a civilidade me impedia de colocá-los em prática.
Até olhei algumas vezes para o infeliz para ver se ele se “tocava”, mas jovens tem problemas com mensagens faciais, estão acostumados a telas de computador além do que ele parecia gostar muito da música...
Eu quero tchu eu quero tcha, tcha...
Nada contra a “música” afinal a rapaziada considera ela muito boa dançante e esses modismos custam a passar. A parte boa é que passam!
Acredito que combinação da letra com a música é que causam esse furor na rapaziada. Hoje em dia é normal não dizer absolutamente nada e o outro entender. Vai entender!
Se bem que entendo por música algo melódico cuja letra nos faz pensar, onde podemos viajar e soltar a imaginação o que convenhamos com tchu e tcha não é o caso.
Consegui me livrar do inferno musical pois finalmente o sinaleiro abriu, lembrei-me de uma reportagem em um jornal local que trazia uma matéria informando que a P.M tem multado e em alguns casos até apreendido esses "trio elétricos individuais" ainda chamados de automóveis.
No caso em questão, ponto para a saveiro e seu condutor que saíram ilesos, afinal não foram abordados por nenhum policial até aonde pude acompanhar.
Fica a pergunta: porque é que o ser humano acha que pode compartilhar tudo? Criaram as redes sociais nesse intuito e pelo jeito alguns tentam criam uma outra modalidade de compartilhamento a Merda-do-som-no-carro-book!
O camarada aumenta o som no máximo acreditando ser a inspiração musical para toda a coletividade ao seu redor e com essa atitude acha que nós temos a obrigação de até fazer "joinha" como se estivéssemos realmente gostando daquela experiência!
Existem as competições que são eventos próprios, direcionados a um público específico e lá, mede-se a POTÊNCIA do som. Mas no dia-a-dia com esse trânsito caótico? A potência dom som é digamos totalmente dispensável!
Vou sugerir a esses jovens que adoram compartilhar no trânsito suas músicas que se tranquem em suas garagens e coloquem o som dessas geringonças automotivas no máximo e fiquem lá por horas. Se não precisarem de uma leucotomia depois disso, até aceito compartilhar desses modismos.