Eu não sei explicar, leitores. Apenas sinto, o que não deveria sentir ou se quer pensar em um dia em senti-lo. E admito, pouco sei transpor o que passei a sentir neste papel amassado que acabei por achar na gaveta da cômoda velha do quarto.
A fase é boa, não nego. Acho que chega a ser passageira, por isso o medo de que os momentos bons passem como um filme de curta metragem , e acreditem estou muito exigente ultimamente para me contentar com apenas o bom, ou se quer apenas uma fase.
Quero o eterno eufórico, seria possível ?
Afinal, não sei bem ao certo se o para sempre sempre acaba mesmo, questiono-me.
O coração pesa tanto que fica até difícil de se carregar, a consciência tortura e o medo de um futuro incerto predomina.
Às vezes, fecho os olhos na tentativa de sentir o vento passando, a água molhando os pés, o cabelo se esparramando pela brisa, e a saudade batendo apertada no peito, pois, não é para menos que dizem que o essencial é invisível aos olhos,
Há de senti-los.
SENTIR.
Verbo impossível e longe de uma definição.
Sentir é eufórico, é como estar em êxtase puro e há de se escrever para diminuir a ânsia e febre de sentir.
Sinto tanto que chego a ter pena de mim mesmo quando “estes sentimentos” derem por um fim, quando o oco predominar e a consciência pesar, novamente.
Será doloroso, pungente.
Por isso acho eufemismo, hipérbole, neologismo,pleonasmo, metonímia... Todas as figuras de estilo que conseguir transpor em pensamento neste instante.
Acho redundante até escrever sobre a “tal febre de sentir”.
Como pegar um guardanapo no bar e começar escrever devaneios loucos só para passar o tempo excruciante que se recusa a caminhar em horas, minutos e segundos normalmente.
Retirar toda monotonia do espaço e do coração, naquele momento.
É viver para crer e prover, tudo no seu devido tempo, é óbvio.
E por ser tão óbvio se torna difícil, incompreensível, sem graça, começando errado para nunca chegar a dar certo, fracasso de pensamento.
Detesto o óbvio, por sinal.
Cheguei no clímax.
Subtenda-se.
E nem se permita a tentar transpor sentimentos em crases, interrogações, palavras soltas a mero acaso, acentos circunflexos, seja o que for que limite as artérias da imaginação.
Admita para si mesmo, há muitos livros de auto-ajuda na estante da sala não é verdade ?
Pergunto a vocês agora, eles lhe “ensinam” a sentir ?
Não caríssimos, infelizmente chego a uma amarga e complexa conclusão, sentimentos não são hereditários, não são ensinados, não são aprendidos, ou sequer são transpostos, ...Fáceis seriam se fossem, mas não são.
Hesito.
Largue essa definição forjada do que é fácil ou difícil.
Nada é o que aparenta ser, e sim, se todos lhe disserem que há o fácil e o difícil esperando uma escolha sua diga que toda unanimidade é burra e que ser fácil ou difícil é mero estereótipo criado por uma mente nada sã e nada sadia, apenas para tornar prática a vida do ser humano e lhe atormentá-lo com escolhas a serem feitas.
E como sentimentos estão muito longe ainda de uma definição, pratique a vivência, sim, permita-se a vive-los.
Arrume o coração e sempre deixe espaço para mais um sentimento bom entrar pela janela, lhe fazendo bem, para que lhe abra o sorriso todas a as manhãs, que dilua toda angústia e tome o lugar de toda decepção, e nunca se esqueçam, todo sentimento bom e que faz bem lhe apresenta uma nova amiga:
Prazer, a esperança.
Aquela recorrida nos tempos amargos e difíceis, quando tudo perde o sentido e a sorte parece ter abandonado o barco.., a velha e simpática esperança, que quando se dá por seu fim começamos a morrer lentamente, estagnamos.
Nunca a perca de vista.
Permita-se a sentir, vivenciar, colocar em prática.
Sinta como se não devesse sentir, como não houvesse obrigação de senti-lo.
Sinta como quem nada sem saber se a água é de fato fria, mas “pula de cabeça” nela.
Sinta como quem sente por não saber o que vem por amanhã, mas está satisfeito só por haver um.
Alie-se à esperança e siga de mãos dadas com ela.
Empregue o imperativo.
E sinta como quem sente tão livremente para só se sentir bem.

