segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Sentir, sentir-se bem


Eu não sei explicar, leitores. Apenas sinto, o que não deveria sentir ou se quer pensar em um dia em senti-lo. E admito, pouco sei transpor o que passei a sentir neste papel amassado que acabei por achar na gaveta da cômoda velha do quarto.

A fase é boa, não nego. Acho que chega a ser passageira, por isso o medo de que os momentos bons passem como um filme de curta metragem , e acreditem estou muito exigente ultimamente para me contentar com apenas o bom, ou se quer apenas uma fase.

Quero o eterno eufórico, seria possível ?

Afinal, não sei bem ao certo se o para sempre sempre acaba mesmo, questiono-me.

O coração pesa tanto que fica até difícil de se carregar, a consciência tortura e o medo de um futuro incerto predomina.

Às vezes, fecho os olhos na tentativa de sentir o vento passando, a água molhando os pés, o cabelo se esparramando pela brisa, e a saudade batendo apertada no peito, pois, não é para menos que dizem que o essencial é invisível aos olhos,

Há de senti-los.

SENTIR.

Verbo impossível e longe de uma definição.

Sentir é eufórico, é como estar em êxtase puro e há de se escrever para diminuir a ânsia e febre de sentir.

Sinto tanto que chego a ter pena de mim mesmo quando “estes sentimentos” derem por um fim, quando o oco predominar e a consciência pesar, novamente.

Será doloroso, pungente.

Por isso acho eufemismo, hipérbole, neologismo,pleonasmo, metonímia... Todas as figuras de estilo que conseguir transpor em pensamento neste instante.

Acho redundante até escrever sobre a “tal febre de sentir”.

Como pegar um guardanapo no bar e começar escrever devaneios loucos só para passar o tempo excruciante que se recusa a caminhar em horas, minutos e segundos normalmente.

Retirar toda monotonia do espaço e do coração, naquele momento.

É viver para crer e prover, tudo no seu devido tempo, é óbvio.

E por ser tão óbvio se torna difícil, incompreensível, sem graça, começando errado para nunca chegar a dar certo, fracasso de pensamento.

Detesto o óbvio, por sinal.

Cheguei no clímax.

Subtenda-se.

E nem se permita a tentar transpor sentimentos em crases, interrogações, palavras soltas a mero acaso, acentos circunflexos, seja o que for que limite as artérias da imaginação.

Admita para si mesmo, há muitos livros de auto-ajuda na estante da sala não é verdade ?

Pergunto a vocês agora, eles lhe “ensinam” a sentir ?

Não caríssimos, infelizmente chego a uma amarga e complexa conclusão, sentimentos não são hereditários, não são ensinados, não são aprendidos, ou sequer são transpostos, ...Fáceis seriam se fossem, mas não são.

Hesito.

Largue essa definição forjada do que é fácil ou difícil.

Nada é o que aparenta ser, e sim, se todos lhe disserem que há o fácil e o difícil esperando uma escolha sua diga que toda unanimidade é burra e que ser fácil ou difícil é mero estereótipo criado por uma mente nada sã e nada sadia, apenas para tornar prática a vida do ser humano e lhe atormentá-lo com escolhas a serem feitas.

E como sentimentos estão muito longe ainda de uma definição, pratique a vivência, sim, permita-se a vive-los.

Arrume o coração e sempre deixe espaço para mais um sentimento bom entrar pela janela, lhe fazendo bem, para que lhe abra o sorriso todas a as manhãs, que dilua toda angústia e tome o lugar de toda decepção, e nunca se esqueçam, todo sentimento bom e que faz bem lhe apresenta uma nova amiga:

Prazer, a esperança.

Aquela recorrida nos tempos amargos e difíceis, quando tudo perde o sentido e a sorte parece ter abandonado o barco.., a velha e simpática esperança, que quando se dá por seu fim começamos a morrer lentamente, estagnamos.

Nunca a perca de vista.

Permita-se a sentir, vivenciar, colocar em prática.

Sinta como se não devesse sentir, como não houvesse obrigação de senti-lo.

Sinta como quem nada sem saber se a água é de fato fria, mas “pula de cabeça” nela.

Sinta como quem sente por não saber o que vem por amanhã, mas está satisfeito só por haver um.

Alie-se à esperança e siga de mãos dadas com ela.

Empregue o imperativo.

E sinta como quem sente tão livremente para só se sentir bem.