Pedro César Alves
Hoje há muitos convites – desde os mais absurdos, que levam à prática do mal, aos mais saudáveis, que indicam o caminho do bem. Mas o convite de hoje é um pouco diferente, intransferível: é sobre o ato de escrever.
Escrever é um ato positivo – se não o fosse, muitos conhecimentos que temos hoje não teríamos, pois os nossos antepassados deixaram muitas coisas boas registradas – e, desde os desenhos nas pedras das cavernas até nossos dias, muitas coisas aconteceram: evolução na certa!
Mas para tudo tem um preço – e a evolução também teve um preço que, aos poucos, estamos conhecendo: pagando caro, muitas vezes. E um dos mais altos preços é o distanciamento do homem perante o próprio homem – as conversas noturnas nas calçadas já não existem mais, principalmente nos grandes centros urbanos. Nas pequenas cidades ainda se vê tal prática, mas também aos poucos está se perdendo. O que fazer?
O leitor que ainda nos dias atuais tem acesso a jornais, revistas ou internet possui, até certo ponto, um conhecimento ávido do que estou escrevendo – e, com certeza, não discordará de mim. Tal conhecimento mostra que a raça humana está, aos poucos, se distanciando do objetivo de seu Criador: que é o amor. E o Filho do Criador disse-nos: ‘amai-vos uns aos outros assim como eu vos amei’ – e nessa situação, pergunto novamente: o que fazer?
Uma das poucas saídas que temos é lançar um convite à escrita. Escrever, escrever e escrever. Antigamente o povo tinha gosto pela escrita – poucos sabiam (mas muitos queriam aprender e não tinham oportunidade), e estes que sabiam eram rodeados, por exemplo, quando uma carta era entregue – notícias dos seres queridos seriam anunciadas. E hoje?
Hoje: ao contrário de antigamente. Muitos sabem ler e escrever, mas poucos – pouquíssimos – escrevem! Há saídas?
Quanto às saídas é fácil de dizer que sim, mas será que – principalmente os jovens – querem? Creio que a resposta é imediata por parte de todos: dificilmente um jovem quer realizar tal atividade. O poema ‘Sou a palavra e te convido’ – que não me recordo a autoria – traz os seguintes dizeres: ‘Jovem, escreve tudo aqui / a tua palavra / a tua frase / o teu parágrafo / a tua redação / o teu nome / o teu sentimento / a tua emoção / teu secreto desejo / tua ambição / tua rebeldia / tua história / teu poema / teu discurso’ - e vai mais adiante ainda. Será que o jovem realmente escreve por gosto? Ou, apenas cumprem ‘tabela’ nas aulas de Português?
Fiz um pequeno teste e coloquei tal poema na lousa. Solicitei espaço para que preenchesse segundo as suas convicções. Concluí que jovem tem muitas ideias. Boas ideias. Mas não as coloca em prática, por quê?
Será que estamos diante de uma geração que quer tudo pronto? Pelo menos a grande maioria é assim – e ainda bem que salvam alguns; poucos, mas salvam. O que será de nós daqui a alguns anos – e não muito distante? Onde estará a Literatura?
Fechando estas linhas, convido todos a escreverem – não precisa ser muito, mas pelo menos um pouco por dia, pois, caso contrário, em breve esquecerão os traçados correto das letras, como por exemplo: invertendo o ‘s’, ou o ‘z’. E chorar não vai adiantar muito, não é mesmo?