quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Todo mundo odeia o preconceito. Será?



Temos observado na mídia em geral, notícias sobre as "ondas" homofóbicas que assolam nosso país. O problema, é que esse "onda" é global. A mídia internacional, traz ao nosso conhecimento quase todos os dias algum tipo de exemplo assim.

No exterior, em alguns países, além da xenofobia, o turista, ou imigrante pode experimentar entre outros sentimentos negativos, o racismo, mesmo tendo a mesma cor da pele do nativo local, mas nesse caso, o racismo existirá pelo fato de ser de nacionalidade diferente.

Grupos formados por pessoas intolerantes se acham no direito de atacar as "minorias" impondo aos mesmos, uma rotina de horror e ódio. Não bastasse o ódio, esses grupos criam situações, onde ( na concepção deles), "diferentes" passam a ser cidadãos de segunda classe, e como tal no regime nazi-fascista, devem ser coagidos, combatidos e na pior das hipóteses eliminados do nosso convívio.

Recentemente pai e filho que andavam abraçados em uma feira agropecuária no interior do estado de São Paulo, foram atacados por um "grupo homofóbico", que os confundira com um casal de gays.

Não atacaram eles diretamente, perguntaram primeiro se eram um casal gay, diante da negativa e da explicação do pai dizendo que se tratava de pai e filho, os meliantes foram embora, depois, voltaram e os atacaram. Um absurdo!

Quanto mais evoluímos nas artes e ciência, mais retrocedemos em outros campos, triste constatação. Não fosse assim, não ficaríamos sabendo de outras manifestações horripilantes como as, praticadas por grupos de skinhead. Esses, embasados em teorias absurdas e retrógradas que remontam da época da Alemanha Nazista onde a superioridade racial (raça ariana), era considerada superior e, portanto, deveria dominar as demais, com base nisso, até hoje (de forma um pouco velada), atacam outros grupos étnicos, pelo simples fato de serem diferentes, isso sem falar do oriente médio, se bem que lá a intolerância é outra, mas ainda assim existe a questão étnica.

A nossa TV aberta tem se ocupado com esses temas, abordando na temática central de suas novelas e seriados tais temas.

Se bem que o fazem comercialmente, ou seja, dá audiência. As "minorias" se sentem representadas por esses programas que supostamente tratam dos problemas por elas enfrentados.

Mas essa sociedade que, desinformada, consome esses produtos televisivos e até se comove com essa temática, muda seu pensamento? Age diferente no dia-a-dia quando se depara com situações de discriminação, tentando impedi-las, ou mesmo denunciando-as?

Conseguimos entender que a diferença na opção sexual, ou da cor da pele não fazem de nós seres humanos diferentes?

Um seriado em especial entre tantos de tema parecido me chamou a atenção ultimamente, acompanhei-o por várias semanas. Falo do seriado intitulado "Todo mundo odeia o Cris" (em inglês Everybody hates Chris), que é apresentado atualmente pela Rede Record.

O seriado, que é narrado pelo seu principal personagem, o ator americano Chris Rock, conhecido comediante, que já estreou vários sucessos em hollywood.

Chris na série tem como seu melhor e inseparável amigo Greg que é branco, ambos estudam em uma escola situada no bairro negro de Bed-Stuy-que é distrito do Brooklyn, essa combinação cria uma situação mais amena, afinal, todos não devem odiar mesmo Chris.

O seriado já recebeu vários prêmios, no total 13 prêmios, e teve outras milhares de nomeações.

Entre as nomeações estão duas para o Emmy Awards e uma para o Globo de Ouro), segundo informação disponibilizada na página oficial da série na Wikipédia.(confira mais detalhes aqui sobre a série).

Divertido, intrigante, que aborda o preconceito racial como tema central, e é claro um pouco da temática adolescente o que faz dele, algo engraçado, normal.

Mas como alguém que é discriminado principalmente pela cor, ao narrar esses episódios, pode transformar essa forma horrenda de preconceito em algo engraçado?

É fácil responder:

-O ator é muito bom, descobriu um filão, nos EUA assim como no Brasil, é normal comediantes negros fazerem piada envolvendo situações de preconceito racial. Mas e quem sente isso na pele todos os dias, e não tem milhões de dólares na conta bancária, como deve se sentir?

Somos um país miscigenado, não temos uma raça definida, como podemos então nos divertir com algo tão ruim e prejudicial a sociedade? Como podemos desenvolver-se enquanto nação (que já foi escravagista), e falar de inclusão social se nos divertimos com um sentimento tão baixo como a discriminação racial ?

Vamos criar então o "Todo mundo odeia os brancos" , ou então, "Todo mundo odeia os paraplégicos", japoneses, americanos, alemães, coreanos etc...

Nem na cultura americana (que considero extremamente racista em todos os sentidos) tal seriado poderia ser aceito, afinal lá é o berço da democracia.

Democracia de exclusão?

Quem assiste pode achar normal alguém que é negro falar sobre o tema, e mesmo assim, diante da rudeza do tema conseguir trata-lo de forma banal, comum.

Alguns argumentariam que se trata de um programa de comédia, que não deve ser levado a sério, afinal é estrelado por atores negros, mas que ninguém na "vida real" acharia aquelas situações normais, mas, é isso que vemos nos noticiários?

Fica a pergunta, onde estamos errando?

Ao criarmos Leis e "quotas" não discriminamos mais?

Segregando alguém pela cor, tipo físico, opção sexual e impondo a sociedade regras para que tratemos "os diferentes" de maneira igual, estaríamos ao meu ver, criando uma igualdade forçada, não se trata então de mais um tipo de preconceito?

Entendo que essa igualdade racial deve emanar do espírito humano, pois nada mais somos do que uma massa igualitária que tem o dever de TUDO compartilhar nesse nosso espaço denominado planeta terra.

Seriam eles então "normais" como nós apenas por decreto?